História

Em setembro de 1956, na cidade de Pelotas (RS), o então reitor da Universidade Católica de Pelotas, Malomar Lund Edelweiss, funda o Círculo Brasileiro de Psicologia Profunda com orientação de Igor Caruso de quem fora analisando e discípulo em Viena. O nome é originário do Círculo Vienense de Psicologia Profunda, criado por Caruso depois da Segunda Guerra Mundial com o objetivo de "repensar Freud a partir de sua origem". Em 1960, o CBPP inicia suas atividades em Porto Alegre com cinco candidatos em formação. Assim, o grupo gaúcho consolida-se, denominando-se Círculo Brasileiro de Psicologia Profunda, secção do Rio Grande do Sul. Em fins da década de 60, recebe o nome que tem hoje, Círculo Psicanalítico do Rio Grande do Sul, uma sociedade psicanalítica freudiana aberta ao aprofundamento dialético do pensamento psicanalítico e de sua evolução.

A Segunda Guerra Mundial dissolveu o movimento psicanalítico mundial, resultando num processo de diáspora que afetou principalmente os psicanalistas de origem judaica da Europa Central e Oriental, como Freud, o fundador da psicanálise.

Igor Caruso (1914-1981), nascido na Rússia de uma família nobre de ascendência italiana, cursou teologia e filosofia na Universidade de Louvain, na Bélgica, fez análise com Viktor Emil Freiherr von Gebsattel (1883-1976), analisando e discípulo de Freud, amigo de Rainer Maria Rilke e Lou Andréas-Salomé, e supervisão com Augusty Aichorn, sucessor de Freud à testa dos psicanalistas de Viena. O Conde Igor Caruso participou, em Viena, depois da Segunda Guerra Mundial, da reconstrução da Wiener Psychoanalytische Vereinigung (WPV) com o Barão Alfred von Winterstein e o Conde Wilhelm Solms-Rödelheim. Esses três aristocratas tinham mantido sob o nazismo o espírito freudiano, sem aceitar a política de colaboração de Ernest Jones. Em 1947, Caruso se separou sem traumas da WPV, cuja orientação lhe parecia excessivamente médica e materialista. Fundou o Círculo Vienense de Psicologia Profunda numa alusão ao termo utilizado por Freud em diversas ocasiões. Mesmo freudiano, não aceitava os padrões de formação da International Psychoanalytic Association (IPA) e, como Jacques Lacan, queria dar a psicanálise uma orientação intelectual e filosófica.

Nesse período, o Prof. Malomar Lund Edelweiss, então reitor da Universidade Católica de Pelotas e a Dra. Gerda Kronfeld resolveram mudar-se para Viena para realizarem análise pessoal com Caruso e participarem de seus seminários. Em 1956, retornaram ao Brasil e, sob a orientação de Caruso, fundaram em Pelotas o Círculo Brasileiro de Psicologia Profunda, nome dado em analogia ao Wiener Arbeistkreise fur Tiefenpsychologie. O primeiro analisando do novo Círculo foi o médico Siegfried Kronfeld, esposo de Gerda, que iniciou sua análise pessoal com Edelweiss no Brasil e terminou-a com Caruso em Viena. Em 1959, em Porto Alegre, começou a formação de alguns candidatos, dentre eles Paulo Brandão e Alberto Corrêa Ribeiro, futuros presidentes do Círculo Psicanalítico do Rio Grande do Sul.

O campo analítico brasileiro, até a década de setenta, encontrava-se ordenado no plano institucional sob à influência da tendência legitimista da IPA e incapaz de reconhecer esse lugar-comum: que as idéias não pertencem a ninguém. Nessa época não pertencer a uma sociedade de psicanálise filiada à IPA era uma escolha arriscada, que implicava numa espécie de marginalização, quando não a própria clandestinidade. Por sua origem, o Círculo encontrava-se marginalizado dos dois grupos de analistas da IPA, em São Paulo e Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, havia uma sociedade dissidente filiada à corrente culturalista dos Estados Unidos. Fora este grupo, o CBP foi o principal dissidente da IPA no Brasil.

Em Belo Horizonte, na década de 60, o Círculo encontrou a sua verdadeira vocação. A tradução do nome é corrigida para Círculo Brasileiro de Psicanálise, com as seções de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Posteriormente, foram criadas as unidades do Rio de Janeiro, pela incorporação de dissidentes da IPA, da Bahia e de Pernambuco, pelo deslocamento de associados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, seguidos da filiação do GREP e do IEPSI e mais recentemente do Círculo de Sergipe e da Sociedade Psicanalítica da Paraíba.

No final da gestão 82/84, o Circulo Brasileiro de Psicanálise deixa de ter uma ingerência tão direta nas unidades locais e torna-se uma Federação dos diversos Círculos. Com isto, atenua-se o exercício do poder e se ganha em representatividade e autonomia dos círculos locais. Hoje o Círculo Brasileiro de Psicanálise se configura como uma Federação de Sociedades Psicanalíticas, formado por seis instituições: Círculo Psicanalítico do Rio Grande do Sul, Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, Círculo Brasileiro de Psicanálise - Seção Rio de Janeiro, Círculo Psicanalítico da Bahia, Círculo Psicanalítico de Pernambuco, Círculo Psicanalítico de Sergipe. Publica uma revista bianual intitulada Estudos de Psicanálise desde 1968, propicia o intercâmbio entre os sócios com informativos periódicos, reuniões semestrais e Congressos, a cada dois anos, sediados por uma das instituições do CBP.

Principais eventos organizados pelo CPRS

  • VI Congresso do Círculo Brasileiro de Psicanálise

    Realizado em Porto Alegre, em 1986.

  • Jornada Aberta "Violência: Enfoque Psicanalítico"

    Realizada em Porto Alegre, em 1992.

  • XII Congresso do Círculo Brasileiro de Psicanálise, "Corpo e Psicanálise"

    Realizado em Porto Alegre, em 1998.

  • I Fórum Latino-Americano de Associações de Psicoterapia Psicanalítica e Psicanálise

    Realizado em Porto Alegre, em 1998.

  • VI Fórum Brasileiro de Psicanálise, "Psicanálise, Poder e Transgressão"

    Realizado em São Leopoldo, em 2001.

  • XXI Congresso do Círculo Brasileiro de Psicanálise e I Congresso Internacional de Psicanálise do CPRS

    Realizado em Porto Alegre, em 2015.

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